“Voe como uma borboleta, pique como uma abelha”, dizia o boxeador

Fábio Zugman

Nocaute de Ali contra Sonny Liston, há 50 anos

Ou você está morando em uma caverna, ou a esse ponto está bem ciente de que estamos passando por uma bela de uma crise. Já escrevi em outros lugares que, sim, é preciso tomar cuidado, diminuir os riscos e abaixar a cabeça um pouco até deixar a crise passar. Por outro lado, tentar se proteger demais a esse ponto do campeonato também pode ser ruim, fazendo você perder algumas boas oportunidades que começam a aparecer. Se no começo de uma crise cuidado e precaução nunca são demais, nesse momento talvez seja hora de voltar a arriscar.

O melhor exemplo que me vem à cabeça no momento é o estilo de luta do boxeador Muhammad Ali, considerado por muitos um dos maiores lutadores de todos os tempos. Ao contrário dos oponentes que confiavam na força de seus socos para vencer, Ali desenvolveu um estilo baseado na velocidade e esperteza.

Duas estratégias suas ficaram bastante conhecidas. A primeira era circular bastante pelo ringue, fazendo com que seu adversário se cansasse, perseguindo-o e tentando acertar um soco. A segunda, e talvez a mais famosa, era essa: em certos momentos, Ali deixava seu adversário prendê-lo nas cordas do ringue. Como assim? Qual a vantagem disso?

Se você estivesse preso entre algumas cordas de um lado e um gigante peso pesado do outro, talvez fosse a hora de começar a rezar por piedade. Ali, no entanto, tinha uma estratégia: ele se inclinava para trás, protegendo-se com suas mãos. Seus adversários, então, tinham que se esticar e se esforçar para tentar acertá-lo. Algumas vezes, isso deixava-os bastante cansados, em outras, eventualmente, abriam espaço para que Ali encaixasse suas sequências de socos que iam se acumulando, fazendo a luta pender cada vez mais para o seu lado.

Sobre esse estilo, o lutador até fez um versinho: “Voe como uma borboleta, pique como uma abelha. Suas mãos não podem bater onde seus olhos não podem ver.”

A meu ver, nesse momento da crise, a maioria dos profissionais e empresas se vê encostada nas cordas, apanhando e se defendendo como pode de cada golpe que recebe. Medo de perder o emprego, menos clientes, dificuldades em fechar negócios e assim por diante.

É justamente nessa hora, quando parecemos mais apertados, que algumas boas oportunidades podem surgir. Afinal, em uma crise dessas, não é só você que está apanhando.

É hora de bater. Mas bater em quê (ou quem), exatamente? você pode optar por duas vias. Pode olhar em volta, procurando alguém que apanhou mais do que você e encontrar ali uma oportunidade. Quem sabe um concorrente queira realizar uma venda barata de um ativo que você sempre quis? Quem sabe aquele fornecedor lhe ofereça condições impensáveis antes da crise? Quem sabe, ainda, você consiga novas pessoas para sua empresa, recursos humanos recém “colocados no mercado” por seus maiores concorrentes que antes seriam difíceis de ser contratados?

Ou, melhor ainda, você pode pensar em oferecer soluções para quem está sangrando e não vê uma saída. Afinal, as pessoas precisam continuar fazendo coisas básicas como comer, beber, cortar o cabelo e se divertir de vez em quando. Precisam continuar a buscar educação e saúde de qualidade e acessível, e podem até passar a se dar “pequenos luxos” de presente, já que os luxos maiores ficaram mais difíceis. Alguém que não pode mais passar o fim de semana viajando pode se dar um presente de consolação no shopping ou um jantar em um restaurante para se alegrar um pouco. Há dezenas… Não, milhares de oportunidades de oferecer produtos e serviços para quem está sofrendo com a crise. Basta olhar em volta e identificar onde uma oportunidade se abriu.

Então, caro leitor, encostados na corda do ringue todos já estamos. Não é fácil passar por uma crise. Em algum momento, no entanto, é bom parar de apanhar e começar a bater. Eu diria para você se preparar, pois esse momento está chegando.
Você não quer ficar apanhando no canto para sempre, quer?

Fonte: Administradores.com.br
Link: http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/muhammad-ali-pode-salvar-voce-da-crise/91568/